Indefesos

Posted by : Daniele Claudino
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domingo, 7 de junho de 2015

07/06/15



   Não me lembro bem o começo desse sonho. Foi confuso. Eu estava voltando do colégio e fui perseguida por um grupo de pessoas estranhas. Um jovem misterioso surgiu do nada e me ajudou a fugir. Nós corremos muito e quando chegamos a uma ponte, ele disse para eu continuar o meu caminho sozinha e que ele me encontraria depois. Eu não queria deixá-lo, ainda mais porque aquelas pessoas ainda estavam nos perseguindo, mas ele implorou para que eu fosse e disse que os distrairia. Ainda assim, eu me recusei. Mas ele gritou, insistindo para que eu fosse. Então, eu fiz o que ele me pediu. Atravessei a ponte e segui por uma estrada até chegar à cidade.
      Cheguei à casa dos Duvall. 
Darla e Mauro me receberam bem. Eles estavam de bom humor. 
Marina veio, com uma amiga e as duas me convidaram para se sentar num banco no jardim e conversar. Vi Alfie na sala, olhando um grande tecido branco. Ele estava em sua forma real, com seus cabelos loiros presos por um elástico. Ele estava de bom humor e sorria. E, o mais surreal, ele me cumprimentou e seus olhos não estavam cheios de malícia. 
     O pai dele estava bem maluquinho. Cantarolava e falava sem parar enquanto fazia uma lista enorme de sabe-se de deus o que. E quando penso a respeito dá até medo... Lista... Pano enorme e branco... De longe isso cheira a casamento. Credo!
     Então, eu conversei com as elfas e Marina estava suspeitamente simpática comigo.
Um rapaz abriu o portão e veio até onde eu estava. Ele era branco. Alto. Tinha cabelos negros e curtos (como os elfos da família de Freddie). Usava uma calça jeans escura. Uma camiseta branca e uma jaqueta de couro (a última moda nos meus sonhos). Ele era muito bonito! Tipo, lol! E veio cambaleando. Como se estivesse muito cansado ou tivesse brigado. Algo assim. Ele pareceu meio receoso por estar ali e olhava a todos com desconfiança. Ele se sentou ao meu lado e jogou um braço envolta de mim. bem, eu vou chamá-lo de Oliver (gosto desse nome desde que assisti o filme do gatinho Oli) porque é um bom nome para um gato.
     Logo que ele me tocou, eu tive uns flashes, onde vi que nos dois nos encontramos mais cedo num shopping e depois numa floresta (gente, que diabos eu fui fazer numa floresta com um homem? Que eu não me lembre!). Nos beijamos e slá, ficamos bem amiguinhos. Foi o que vi.
      No momento em que vi Oliver, eu senti e tive a certeza absoluta de que ele era o Alex, mas quando acordei, eu estava convencida de que aquele não podia ser ele. Só um bakeneko.
     Oliver era bem carinhoso. Segurava minha mão. Beijava meu rosto. Pegava no meu cabelo...
Marina e sua amiga deram risadinhas e se levantaram, dizendo que não queriam incomodar e que nos deixariam em paz.
   Constrangida, eu pedi a elas que ficassem. No entanto, elas não ficaram.
Oliver continuava carinhoso e eu fiquei nervosa. Eu tinha 80% da minha consciência e sabia que estava entre os elfos e que não poderia aborrecê-los ou eles fariam coisas terríveis comigo. Olhei para a janela e percebi que Alfie olhava, disfarçadamente para mim. Pedi para Oliver ir devagar por causa de Alfie, mas ele ou não deu bola para o que eu disse ou quis provocar Alfie porque continuou. Não tive outra saída senão me levantar e sair do campo de visão de Alfie. 
     Oliver me seguiu. Nos sentamos no chão e ele começou a me beijar. Estranhamente, no reino élfico, eu só consigo beijar o Alfie (que a Viick não leia isso). Sério! Não sei o que acontece, mas sempre que tento beijar outro ser que não seja Alfie, eu não consigo. Me sinto travada. Talvez, seja algum tipo de maldição do beijo?! Enfim, Oliver me beijou, mas eu estava mais rígida que uma estátua. Quanto mais ele me tocava, mais eu me lembrava de ter estado com ele e ter correspondido seus beijos e suas carícias com paixão. Mas eu estava confusa. Ele me abraçou, desesperado e encheu meu pescoço de beijos. Eu tentei relaxar, mas Marina me observava, rindo e cochichando e aquilo era esquisito demais. Tinha algo errado. Eu sentia.
     Oliver disse alguma coisa, mas não prestei atenção. Então, ele mordeu meu pescoço. Doeu porque os dentes dele eram afiados. Presas, talvez. Ele pareceu puxar meu coro com seus dentes e ficou com eles presos na minha pele. Quem visse de longe, pensaria que ele estava me beijando, mas eu sabia que ele não estava fazendo isso. Não sabia se ele estava tomando meu sangue ou minha energia ou os dois porque só sentia a dor.
     Darla continuava parada na porta e me encarou desconfiada. Eu disfarcei. Abraçando Oliver e pedi para ele ser breve.

      De repente um filhote estranho de gato veio correndo da rua e cruzou o jardim. Era um tipo muito estranho de gato. Se não me engano, amarelo, só que, próximo a pata esquerda dianteira tinha um detalhe em sua pelugem. Um retângulo laranja com bolinhas negras. Com certeza, não pode haver um gato assim no mundo dos humanos.
     Quando viu o gatinho, Darla o pegou. Ele miou histérico.


- Meu filho! - Disse Oliver se afastando de mim e indo correndo até onde Darla estava.
- Por favor, não machuque ele. - Pediu Oliver.


      Alfie saiu na janela, rindo e disse:
- Que bonitinho, esse filhote.


- Nós adoramos gatinhos. - Disse Darla sorrindo de um jeito que não me agradou nem um pouco.
- Por favor? Deixe ele ir. - Eu pedi, mas eu estava com tanto medo que minha voz soou baixa demais.


   Darla jogou o gatinho no chão.
Oliver tentou atrair a atenção dele, mas o gatinho estava muito assustado e tolamente, achou mais seguro correr para dentro da casa.
- Não! - Gritou Oliver desesperado.


    Eu vi Darla, Alfie e Mauro correndo atrás do gatinho. Imediatamente, entrei na casa pela porta dos fundos para procurar o gato. Vi o escritório de Mauro. Havia muitos livros e folhas em cima da mesa. Sabia que não era hora, mas estava curiosa para saber o que tinha escrito ali e me aproximei da mesa.
     Mauro apareceu atrás de mim.
- Está procurando alguma coisa?
    Eu me virei assustada.
Ele se sentou em sua cadeira com os pés sob a mesa e jogou o filhote em cima da mesa.
- Não seria interessante se tivéssemos um gatinho de estimação?
- Sim. Seria, mas ele não é nosso. - Eu disse baixinho, hesitante.
      Mauro consegue ser o mais assustador de todos os elfos que conheço, especialmente, quando sorri e fala sem parar. Ele parece uma mistura estranha de o Chapeleiro Maluco com Hannibal Lecter. E quando fala, exige atenção. Ignorá-lo ou contestá-lo é um grave erro.
- Pensei que gostasse de gatinhos... - Ele me encarou.
- É, gosto. - Eu disse de cabeça baixa.
- Não fique assim. Há muito trabalho a ser feito. - Ele disse e começou a escrever.
    
A porta por onde eu passei antes de ir para o escritório, estava fechada.
Eu procurei outra saída e encontrei uma porta que levava a uma lavanderia. Vi um gato branco de adoráveis olhos azuis vindo correndo em minha direção. Era Oliver procurando seu filhote. Ele deslizou e quase caiu. Parou e me encarou. Seus olhos pareciam tão tristes e ao mesmo tempo surpresos. Acho que ele não queria que eu o visse naquela forma ou talvez, ele esperasse que eu trouxesse o gatinho. 
     A mesma marca que havia no filhote, era visível na pelugem dele.
         Posso dizer que esse sonho acabou aí, porque depois tudo ficou muito vago e confuso. E só me lembro de estar com uma garotinha muito assustada ao meu lado que me chamava de mamãe e dizia que nós tínhamos que fugir, que iam nos fazer mal. Eu só via um homem arrumando as malas e dizendo que ia levá-la para longe de mim. Então, eu procurei por uma saída, mas todas as portas e janelas estavam fechadas. Quando consegui quebrar uma porta, usando alguns objetos e estava saindo, aquele homem veio e puxou a menina, a afastando de mim. Eu peguei de volta e nos discutimos. Pedi a ela para correr e ela foi para fora. Eu também. Mas alguma coisa invadiu minha mente, me deixando tonta e desnorteada. Eu cai no chão e ouvi um grito. Quando olhei para trás, antes de acordar, vi a garotinha sendo puxada de volta para a casa. Atrás dela havia uma luz muito forte.
- Mamãe... - Ela gritou chorando, mas eu não pude ajudá-la e aquela porta se fechou sem que eu pudesse fazer nada.
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