Retribution

Posted by : Daniele Claudino
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segunda-feira, 13 de julho de 2015


   Eram quase dez horas da noite e Maria voltava do colégio. Naquela noite, as aulas terminaram mais cedo porque a professora de inglês faltara e não conseguiram arranjar uma substituta em cima da hora.  
      Maria não morava longe do colégio, mas o caminho de volta era sombrio e deserto. Naquele horário, a maioria das pessoas estavam escondidas em suas casas; algumas dormindo, outras vendo TV. Poucos veículos transitavam nas ruas. A noite era escura, o céu sem estrelas... Fazia frio e as árvores dançavam ao vento. Era uma noite sombria, mas uma adorável noite sombria.
     Maria caminhava sem pressa. Gostava de apreciar a beleza da noite e, a cada esquina, imaginava que daria de cara com vampiro belo, melancólico e sedutor, que lhe perguntaria o que uma bela dama fazia sozinha nas ruas, tão tarde. Então, ele se apresentaria a ela e, gentilmente, se ofereceria para acompanhá-la até sua casa. E durante o caminho, ele a seduziria com doces palavras e quando ela caísse na lábia dele, ele a morderia e saciaria sua sede de sangue. Ah! Que romântico! Um monstro mordendo seu pescoço e bebendo de seu sangue... Sério? Por que algumas mulheres eram tão masoquistas? Onde estava a graça em ser usada por um facínora de presas? Maria era fã de Supernatural e achava que monstro bom era monstro morto. Não que ela acreditasse em monstros... Mas odiava Crepúsculo, Diários De Um Vampiro, True Blood e outras séries e filmes do gênero. Achava tão clichê e ela odiava clichês.
      Quando dobrou outra esquina e seguiu por uma calçada cheia de árvores, não deu de cara com nenhum vampiro, mas com um inofensivo gato branco, com um olho verde e outro azul. Era a coisa mais linda que ela já havia visto!
    Quando a viu, o gato miou e recuou, assustado.

- Ei, gatinho? Não vou te machucar! Vem cá, vem? - Ela agachou-se enquanto chamava o gato.

    O felino a encarou, desconfiado. Sem saber se ia ou não até ela.
     Ela insistiu e o gato acabou cedendo.
    Ela afagou-o, sentindo a maciez de seus pelos. Então, o pegou e o encarou nos olhos.

- O que uma coisinha tão fofa como você faz sozinho por aqui, hein? Já pensou se uma louca te rapta? Ninguém mais ia ver você...
    

    O gato miou outra vez, como se entendesse o que ela acabara de dizer.

- Eu só tô brincando. Não faria isso! - Ela soltou o gato e foi embora.

     Assim que chegou em casa, tomou um banho. Vestiu seu pijama. Tomou leite e comeu biscoitos. Checou sua caixa de email e depois foi dormir. Teve um sonho estranho...


    A janela de seu quarto estava aberta e as cortinas subiam e desciam, como se estivessem dançando. 
Ela ouviu um gato miar e sentiu algo se movendo em seus pés. Se sentou assustada e naquela escuridão ela só conseguiu enxergar dois olhos a encarando... Um verde e outro azul... Eles brilhavam como olhos de gato, mas aquilo não podia se rum gato. A menos que fosse um gato gigante, o que seria impossível.
     Maria sentiu cada músculo de seu corpo gelar. Ela queria gritar, mas o grito ficou preso em sua garganta. E ela só conseguiu encarar aqueles olhos brilhantes...
      O que era aquilo? Um vampiro? Ótimo! Ela não tinha nada ali que pudesse usar para decapitá-lo. Estava perdida!
     Ela ouviu um riso e, em seguida, uma voz masculina:

- Não sou um vampiro!

"O que você é então?", ela quis perguntar, mas não conseguiu falar. Ainda estava muito assustada.

- Não importa quem ou que sou... - Disse ele, como se tivesse ouvido o pensamento dela. - Apenas me diga, como posso agradecê-la?

     Agradecê-la...
Pelo quê? 
Maria ficou confusa.

- Por favor? Não vou machucá-la. - Ele insistiu.
- Só... Vai embora! - Maria, finalmente conseguiu falar.

      Ele ficou em silêncio por um tempo, antes de dizer:

- Tem certeza de que é isso o que você quer? Eu posso lhe dar qualquer coisa que desejar... Qualquer coisa.

     Se ela tinha certeza?
É claro que tinha!
Ora essa!

- Sim, tenho. - Ela respondeu.
- Você quem sabe. - Ele pareceu ofendido enquanto se levantava.

    Maria acendeu a luz do abajur, mas ele já havia sumido. E, para seu espanto, a janela estava fechada e não aberta como ela vira a poucos minutos atrás.

    Na manhã seguinte, quando Maria acordou, percebeu que havia pegadas enlameadas que iam de sua cama até a janela... Porém, não eram pegadas de um homem, e sim de um gato. Foi então que lhe caiu a ficha! Não fora um sonho. Fora real!

"Apenas me diga como posso agradecê-la"...

     O gato que ela afagara na rua...
Ele queria agradecê-la pela atenção dada a ele...

"Só... Vai embora".
"É o que você quer?"
"Sim, é o que eu quero".
"Você quem sabe"...

   Ela nunca esqueceria aqueles olhos... Nunca!
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